Ordem Strigiformes: Classificação, Características e Topografia

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Classificação

Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Strigiformes
Família: Strigidae e Tytonidae
Género: Asio, Bubo, Strix, Otus, Athene, Tyto
Espécie: A. otus, B. bubo, S. aluco, A. flammeus, O. scops, A. noctua, T. alba

A ordem Strigiformes reúne todas as aves de rapina nocturnas, vulgarmente denominadas mochos, corujas ou bufos. Estas aves, de postura erecta, olhos frontais e, em alguns casos, com penas em forma de orelhas, sempre foram vistas pelo homem como símbolo de sabedoria, má sorte, mal ou morte, conforme as diferentes civilizações. Os hábitos nocturnos da maior parte das espécies e as vocalizações exuberantes desde sempre causaram grande fascínio, mas também uma enorme quantidade de mitos e conotações negativas.

mocho

O número de espécies considerado ‘aceitável’ pela taxonomia varia entre 150 e cerca de 250. Contudo, testes recentes, onde se incluem os genéticos, apontam para que este número possa atingir as 268 espécies (Mikkola, 2013).  Nessa perspectiva, esta ordem divide-se em duas famílias: a Strigidae e a Tytonidae. A primeira engloba 241 espécies (MIKKOLA, Heimo. Owls of the World, A Photographic Guide, Second Edition, CHRISTOPHER HELM, London, 2013.) e está distribuída globalmente, com apenas algumas excepções em ilhas remotas, sendo em Portugal Continental representada pela coruja-do-mato (Strix aluco), o mocho-galego (Athene noctua), o mocho-d´orelhas (Otus scops), a coruja-do-nabal (Asio flammeus), o bufo-pequeno (Asio otus) – também presente nos Açores –  e o bufo-real (Bubo bubo). À segunda pertencem 27 espécies também distribuídas globalmente, com excepção para as regiões mais a Norte da América do Norte e Eurásia, com a coruja-das-torres (Tyto alba) a representar esta família em Portugal Continental e Madeira¹.

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As principais características deste grupo de aves são a cabeça de grandes dimensões, bicos curtos e curvos, farta plumagem, frequentemente com aspecto inflado, que esconde corpos bem mais pequenos do que aparentam. Possuem garras curvas e afiadas, com excelentes adaptações à caça de pequenos mamíferos, aves (incluindo por vezes outras aves de rapina nocturnas), répteis, insectos, invertebrados ou até peixes. A maioria das espécies apresenta tufos de penas em forma de orelhas, cauda e pernas curtas, com excepções, por exemplo, na família Tytonidae, que, para além de pernas longas, difere da maior parte das corujas por apresentar, também, um corpo mais delgado e esguio, com disco facial em forma de coração. As plumagens são frequentemente discretas, em tons de cinzento, castanho ou negro. Esta coloração permite-lhes uma excelente capacidade de camuflagem na grande variedade de habitats que ocupam, desde florestas ou campos agrícolas a zonas húmidas e desertos.

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O dimorfismo sexual é geralmente pouco acentuado em termos de plumagem, mas quanto ao tamanho há algumas espécies que apresentam marcado dimorfismo sexual inverso, como é o caso do bufo-real, com as fêmeas a apresentarem tamanhos consideravelmente superiores aos machos. Existe uma grande variedade de dimensões entre as espécies, desde aves com 35cm de envergadura e 60g de peso, como é o caso do mocho-pigmeu (Glaucidium passerinum), aos quase 2m de envergadura e 4kg de peso que pode atingir um bufo-real.

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As excelentes capacidades de predação das espécies que pertencem a este grupo devem-se às apuradas capacidades auditivas e visuais que lhes permitem obter alimento em condições de grande escassez de luz e muitas vezes sem conseguir sequer ver a presa. Também a plumagem, extremamente suave, permite um voo totalmente silencioso, praticamente indetectável por parte dos animais de que se alimentam. A possibilidade de produção de egagrópilas (regurgitações) – constituídas pelas partes de alimento que não conseguem digerir, como por exemplo ossos, pêlos ou partes de insectos – é também uma característica das aves de rapina nocturnas. A recolha destas amostras tem permitido um estudo e conhecimento aprofundado sobre os seus hábitos alimentares. A maior parte das espécies são monogâmicas, não constroem ninhos e a incubação dos ovos, geralmente de cor branca, é levada a cabo exclusivamente pelas fêmeas, alimentadas pelos machos durante a época de reprodução.

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¹Este número de espécies para as duas famílias varia entre cerca de 150 e 250. O parco conhecimento da ecologia e comportamento de diversas espécies levam ao questionamento, e continuam a propiciar o debate, relativamente à taxonomia deste grupo, tendo havido alterações a nível das subespécies, das espécies e mesmo dos géneros.

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silhuetas

LISTA DE ESPÉCIES (420 subespécies descritas e 10 não descritas*)

GÉNERO TYTO (25 espécies)
Tyto alba
Tyto furcata
Tyto bargeri
Tyto insularis
Tyto punctatissima
Tyto detorta
Tyto thomensis

Tyto delicatula 
Tyto crassirostris
Tyto deroepstorffi
Tyto glaucops

Tyto soumagnei 
Tyto aurantia
Tyto nigrobrunnea

Tyto longimembris 
Tyto capensis
Tyto sorocula
Tyto novaehollandiae
Tyto manusi
Tyto rosenbergii
Tyto castanops
Tyto inexspectata
Tyto multipunctata
Tyto tenebricosa
Tyto prigoginei

•GÉNERO PHODILUS (2 espécies)
Phodilus badius
Phodilus assimilis

•GÉNERO OTUS (53 espécies)
Otus brucei
Otus pamelae
Otus senegalensis
Otus socotranus
Otus icterorhynchus
Otus ireneae
Otus pembaensis
Otus hartlaubi
Otus insularis
Otus mayottensis
Otus pauliani
Otus capnodes
Otus moheliensis
Otus rutilus
Otus madagascariensis
Otus spilocephalus
Otus bakkamoena
Otus sunia
Otus lettia
Otus semitorques
Otus elegans
Otus lempiji
Otus alius
Otus umbra
Otus enganensis
Otus mentawi
Otus brookii
Otus cnephaeus
Otus megalotis
Otus everetti
Otus nigrorum
Otus fuliginosus
Otus sagittatus
Otus rufescens
Otus thilohoffmanni
Otus balli
Otus angelinae
Otus silvicola
Otus alfredi
Otus mirus
Otus longicornis
Otus mindorensis
Otus jolandae
Otus magicus
Otus tempestatis
Otus sulaensis
Otus beccarii
Otus manadensis
Otus kalidupae
Otus mendeni
Otus siaoensis
Otus collari
Otus mantananensis


GÉNERO PSILOSCOPS (1 espécie)
Psiloscops flammeolus

•GÉNERO MEGASCOPS (27 espécies)
Megascops kennicottii
Megascops asio

Megascops cooperi
Megascops lambi
Megascops trichopsis
Megascops barbarus
Megascops seductus
Megascops clarkii
Megascops choliba
Megascops koepckeae
Megascops roboratus
Megascops pacificus
Megascops hoyi
Megascops ingens

Megascops ‘gilesi’
Megascops colombianus
Megascops petersoni
Megascops marshalli
Megascops watsonii
Megascops usta
Megascops atricapillus
Megascops sanctaecatarinae
Megascops vermiculatus

Megascops centralis
Megascops roraimae
Megascops guatemalae

Megascops nudipes
Megascops napensis 
Megascops albogularis

•GÉNERO PYRROGLAUX (1 espécie)
Pyrroglaux podarginus

•GÉNERO GYMNOGLAUX (1 espécie)
Gymnoglaux lawrencii

•GÉNERO PTILOPSIS (2 espécies)
Ptilopsis leucotis
Ptilopsis granti

• GÉNERO NYCTEA
 Nyctea scandiaca

•GÉNERO BUBO (25 espécies)
Bubo virginianus
Bubo magellanicus
Bubo bubo
Bubo ascalaphus
Bubo bengalensis
Bubo capensis

Bubo leucostictus
Bubo africanus
Bubo cinerascens
Bubo poensis
Bubo vosseleri
Bubo lacteus
Bubo shelleyi

Bubo nipalensis 
Bubo sumatranus
Bubo coromandus
Bubo philippensis
Bubo blakistoni
Bubo zeylonensis
Bubo ketupu
Bubo flavipes
Bubo peli
Bubo ussheri
Bubo bouvieri

•GÉNERO PULSATRIX (4 espécies)
Pulsatrix perspicillata
Pulsatrix pulsatrix
Pulsatrix koeniswaldiana
Pulsatrix melanota

•GÉNERO STRIX (24 espécies)
Strix aluco
Strix butleri
Strix woodfordii
Strix seloputo
Strix ocellata
Strix leptogrammica
Strix niasensis

Strix nivicola 
Strix bartelsi
Strix newarensis
Strix virgata
Strix rufipes
Strix squamulata
Strix chacoensis
Strix hylophila
Strix albitarsis
Strix nigrolineata
Strix huhula
Strix occidentalis
Strix fulvescens
Strix varia
Strix davidi
Strix uralensis
Strix nebulosa

•GÉNERO JUBULA (1 espécie)
Jubula lettii

•GÉNERO LOPHOSTRIX (1 espécie)
Lophostrix cristata

•GÉNERO SURNIA (1 espécie)
Surnia ulula

•GÉNERO GLAUCIDIUM (25 espécies)
Glaucidium passerinum
Glaucidium perlatum
Glaucidium tephronotum
Glaucidium brodiei
Glaucidium californicum
Glaucidium hoskinsii
Glaucidium gnoma

Glaucidium ridgwayi
Glaucidium nubicola
Glaucidium costaricanum 
Glaucidium cobanense
Glaucidium siju
Glaucidium sanchezi
Glaucidium palmarum
Glaucidium griseiceps
Glaucidium sicki
Glaucidium minutissimum
Glaucidium hardyi

Glaucidium brasilianum 
Glaucidium parkeri
Glaucidium jardinii
Glaucidium bolivianum
Glaucidium peruanum
Glaucidium nana
Glaucidium tucumanum

•GÉNERO TAENIOGLAUX (9 espécies)
Taenioglaux radiata
Taenioglaux castanonota 

Taenioglaux castanoptera 
Taenioglaux cuculoides
Taenioglaux sjostedti
Taenioglaux etchecopari
Taenioglaux capense 

Taenioglaux albertina 
Taenioglaux castanea

•GÉNERO XENOGLAUX (1 espécie)
Xenoglaux loweryi

•GÉNERO MICRATHENE (1 espécie)
Micrathene whitneyi

•GÉNERO HETEROGLAUX (1 espécie)
 Heteroglaux blewitti

•GÉNERO ATHENE (6 espécies)
Athene cunicularia
Athene noctua 
Athene lilith
Athene spilogastra
Athene plumipes
Athene brama

•GÉNERO AEGOLIUS (4 espécies)
Aegolius funereus
Aegolius acadicus
Aegolius ridgwayi
Aegolius harrisii

•GÉNERO NINOX (38 espécies)
Ninox rufa
Ninox strenua
Ninox connivens
Ninox rudolfi

Ninox boobook
Ninox novaeseelandiae
Ninox lurida
Ninox leucopsis
Ninox scutulata

Ninox japonica
Ninox randi
Ninox obscura
Ninox affinis
Ninox superciliaris
Ninox philippensis
Ninox mindorensis

Ninox spilocephala 
Ninox spilonota
Ninox rumseyi
Ninox leventisi
Ninox reyi
Ninox ochracea
Ninox jacquinoti

Ninox granti
Ninox malaitae
Ninox roseoaxillaris
Ninox theomacha
Ninox punctulata
Ninox odiosa
Ninox squamipila

Ninox hypogramma
Ninox forbesi
Ninox ios
Ninox burhani
Ninox sumbaensis 
Ninox natalis
Ninox meeki
Ninox variegata

•GÉNERO UROGLAUX (1 espécie)
Uroglaux dimorpha

•GÉNERO SCELOGLAUX (1 espécie)
Sceloglaux albifacies

•GÉNERO NESASIO (1 espécie)
Nesasio solomonensis

•GÉNERO PSEUDOSCOPS (1 espécie)
Pseudoscops grammicus

•GÉNERO ASIO (8 espécies)
Asio stygius
Asio otus
Asio abyssinicus
Asio madagascariensis
Asio clamator
Asio flammeus
Asio galapagoensis
Asio capensis

*Fonte: MIKKOLA, Heimo. Owls of the World, A Photographic Guide, Second Edition, CHRISTOPHER HELM, London, 2013.